Licenciamento em alta: mais casas novas avançam em Portugal

O mercado imobiliário português recebeu um sinal positivo no segundo trimestre de 2026: apesar da redução do número total de edifícios licenciados, a construção de habitação familiar mostrou uma evolução mais dinâmica, com aumentos tanto no número de fogos licenciados como nos fogos concluídos.

Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam uma realidade importante para quem acompanha o mercado imobiliário: o número de edifícios e o número de habitações não são exatamente a mesma coisa. Um único edifício pode integrar vários apartamentos e, por isso, uma redução no número de edifícios licenciados não significa necessariamente uma redução da futura oferta habitacional. (Webinq)

Mais de 11 mil novos fogos licenciados

Entre abril e junho de 2026 foram licenciados cerca de 11.834 fogos em construções novas destinados a habitação familiar, representando um crescimento homólogo de 10,8%.

Este resultado ganha ainda mais relevância porque, no primeiro trimestre do ano, o número de fogos licenciados tinha diminuído 2,2%.

Ou seja, o segundo trimestre trouxe uma inversão da tendência e um aumento significativo do número de habitações autorizadas para avançar. (LinkedIn)

Para quem acompanha a evolução da oferta imobiliária em Portugal, este é um indicador que merece atenção.

Mais licenciamento não significa que estas casas estejam imediatamente disponíveis para compra. Existe um período entre a aprovação do projeto, a construção, a conclusão da obra e a colocação efetiva do imóvel no mercado.

Ainda assim, o crescimento dos fogos licenciados representa um aumento do potencial de oferta futura.

Também aumentou o número de casas concluídas

A evolução positiva não ficou apenas pelo licenciamento.

No segundo trimestre de 2026 foram concluídos cerca de 7.400 fogos em construções novas para habitação familiar, mais 11,6% do que no mesmo período do ano anterior.

Este resultado também representa uma inversão face ao primeiro trimestre, quando os fogos concluídos tinham registado uma diminuição de 1,5%. (Webinq)

Na prática, significa que o mercado está a registar simultaneamente:

  • Mais fogos licenciados;

  • Mais fogos concluídos;

  • Maior atividade na construção residencial;

  • Uma recuperação face a alguns dos indicadores negativos registados no início do ano.

É uma evolução relevante num mercado onde a oferta de habitação continua a ser um dos principais temas.

Menos edifícios, mas mais habitação

À primeira vista, os números podem parecer contraditórios.

No segundo trimestre foram licenciados cerca de 6.200 edifícios em Portugal, menos 7,1% em termos homólogos. No entanto, dentro desse conjunto, os fogos destinados a habitação familiar em construções novas aumentaram 10,8%. (Webinq)

A explicação está na dimensão dos projetos.

Um prédio de apartamentos pode representar apenas um edifício, mas conter dezenas de fogos. Por isso, acompanhar exclusivamente o número de edifícios pode dar uma imagem incompleta da evolução da oferta habitacional.

Para o mercado residencial, o número de fogos licenciados é particularmente importante porque permite perceber melhor quantas novas unidades habitacionais estão a entrar no pipeline de construção.

O que está a acontecer nas diferentes regiões?

A evolução não é igual em todo o território nacional.

No segundo trimestre, a Grande Lisboa registou um crescimento de 38% nos fogos licenciados em construções novas para habitação familiar, enquanto o Norte continuou a concentrar a maior parcela do total nacional, com 47,8%.

O Centro representou cerca de 16% e a Grande Lisboa 13,9%. (WIRE Portugal)

Também nos fogos concluídos existem diferenças regionais significativas.

A Grande Lisboa registou um crescimento de 24,5%, enquanto o Norte aumentou 18,4% e o Centro 12,1%. Por outro lado, a região do Oeste e Vale do Tejo registou uma redução de 17,3% nos fogos concluídos. (WIRE Portugal)

Esta diversidade regional mostra por que razão a análise do mercado imobiliário deve ser feita à escala local.

O comportamento do mercado nacional não representa necessariamente aquilo que está a acontecer numa determinada cidade ou concelho.

E o que significa para Peniche?

Para quem acompanha o mercado imobiliário de Peniche e da região Oeste, estes dados devem ser interpretados com atenção.

O crescimento nacional do licenciamento habitacional não significa automaticamente que a oferta em Peniche vá aumentar na mesma proporção. A disponibilidade de terrenos, os projetos aprovados, os custos de construção, os processos urbanísticos e a procura local são fatores que influenciam diretamente a evolução da oferta em cada município.

Por isso, quem pretende comprar, vender ou investir deve olhar não apenas para as tendências nacionais, mas também para:

  • Novos projetos habitacionais na região;

  • Imóveis atualmente em construção;

  • Terrenos com potencial de desenvolvimento;

  • Licenciamentos aprovados;

  • Evolução da procura;

  • Valores praticados por metro quadrado;

  • Características específicas de cada localização.

É esta leitura local que permite transformar dados nacionais em informação útil para uma decisão imobiliária.

Mais construção significa preços mais baixos?

Não necessariamente.

O aumento dos fogos licenciados é um sinal positivo do ponto de vista da oferta futura, mas não permite concluir, por si só, que os preços das casas irão baixar.

O preço de um imóvel depende de vários fatores, incluindo:

  • Oferta e procura;

  • Localização;

  • Custos de construção;

  • Disponibilidade de terrenos;

  • Financiamento;

  • Qualidade e características do imóvel;

  • Procura por habitação própria;

  • Procura turística e de investimento.

Além disso, os custos de construção continuam a representar um fator importante. Em julho de 2026, os custos de construção de habitação nova aumentaram 6,8% em termos homólogos, segundo o INE. (Instituto Nacional de Estatística)

Assim, uma maior quantidade de habitações em desenvolvimento não significa automaticamente habitação mais barata.

O que deve fazer quem está a comprar casa?

Para quem procura comprar casa, este é um momento em que vale a pena acompanhar a evolução da oferta, mas sem basear uma decisão exclusivamente numa tendência nacional.

Antes de avançar, é importante:

  • Definir um orçamento realista;

  • Comparar imóveis semelhantes na mesma zona;

  • Analisar o estado e a qualidade da construção;

  • Confirmar a documentação do imóvel;

  • Avaliar os custos de aquisição;

  • Comparar diferentes opções de financiamento;

  • Conhecer os projetos e a oferta existente na localização pretendida.

Uma maior oferta futura pode significar mais escolha para os compradores, mas cada imóvel continua a ter de ser analisado individualmente.

E para quem pretende vender?

Os novos projetos habitacionais também podem alterar gradualmente a oferta disponível numa determinada zona.

Para um proprietário que pretende vender, conhecer a concorrência atual e futura pode ser fundamental para definir uma estratégia adequada.

Um imóvel bem apresentado, corretamente valorizado e promovido junto do público certo pode diferenciar-se mesmo num mercado com maior oferta.

É precisamente por isso que uma análise imobiliária local deve considerar não apenas os imóveis que estão atualmente à venda, mas também a evolução previsível da oferta.

Um sinal positivo para a habitação

Os dados do segundo trimestre de 2026 mostram uma recuperação clara no número de fogos licenciados e concluídos para habitação familiar.

O crescimento de 10,8% nos fogos licenciados e de 11,6% nos fogos concluídos representa uma evolução relevante para o mercado residencial português. (Webinq)

No entanto, estes números devem ser interpretados com equilíbrio.

Uma licença não é ainda uma casa disponível no mercado. Entre o licenciamento e a entrega de uma habitação existem várias etapas, e o ritmo pode variar significativamente entre projetos e regiões.

Para compradores, vendedores e investidores, a principal conclusão é simples: acompanhar a evolução da oferta tornou-se cada vez mais importante.

E, num mercado local como Peniche, conhecer os projetos, os valores praticados e a procura da zona pode fazer toda a diferença na tomada de decisão.

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Ricardo Raposo
Consultor Imobiliário — MaisConsultores TEAM
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